Que Viagem, Menina!

Contando das minhas andanças para ajudar nas suas


Chapada dos Veadeiros

Para quem gosta de estar na natureza, esse é daqueles lugares que você sempre terá motivos para voltar. As atrações são inúmeras, tudo é bonito demais, a vibe é boa e, ao final, não importa quanto tempo ficar, haverá motivos suficientes para dizer “até logo”.

Este relato, na realidade, é o somatório de duas viagens feitas em feriados prolongados. E sim, haverá uma terceira. Fomos em maio nas duas vezes e pegamos o total de zero minutos de chuva!

Bom, vamos começar falando das 3 cidades que podem servir de base para conhecer a Chapada. São Jorge (a mais próxima do Parque), que é pequena, cheia de restaurantes e lojinhas, uma gracinha; Alto Paraíso de Goiás, que é a maior delas e a que tem a localização mais central, favorecendo os roteiros que incluem atrações distantes entre si; e Cavalcante, que é uma “microcidade” próxima à cachoeira Santa Bárbara e que te dá a sensação de ter voltado no tempo muitas décadas. Um encanto, mas com bem menos opções de restaurantes.

Nas duas vezes nos hospedamos em Alto Paraíso, pelo fato de ser mais central para o que iríamos fazer. Não tem o charme das outras duas, mas tem boas opções de restaurantes.

Nós estávamos com carro alugado, mas há muitas possibilidades de fazer o deslocamento com agências ou guias particulares. Os maiores trechos de acesso são via rodovias, com asfalto em bom estado, mas com pista única. Em algum momento, no geral, é preciso deixar a rodovia e acessar estradas de terra, mas a menor parte dos passeios exigem 4×4.

O nosso roteiro, dia a dia, foi esse:

Dia 1 – Cachoeira do Segredo, Vale da Lua e Jardim de Eritréia

Dia 2 – Complexo Macaquinhos

Dia 3 – Cachoeira Santa Barbara

Dia 4 – Almécegas I e II

Dia 5 – Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Trilha Amarela

Dia 6 – Cachoeiras Loquinhas

Dia 7 – Cachoeira Cordovil

Dia 8 – Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Trilha Vermelha

Dia 9 – Cachoeira do Dragão

Dia 10 – Cachoeira do Caracol

Todos os passeios que fizemos, com exceção do Jardim de Eritréia, são pagos. Como eles também tem horários diversos de funcionamento, inclusive havendo horário limite para acessar a atração, é bom ficar atento a estas informações.

Vai em feriado? Procurar comprar os ingressos e fechar os guias com antecedência. Precisamos alterar a logística por não ter nos atentado a este ponto.

Quase todas as atrações incluem trilha de acesso. Umas mais curtas, outras mais longas, umas mais fáceis, outras de nível moderado. Nós sempre consideramos isso na hora de montar o roteiro, de forma a não deixar trilhas mais pesadas em dias consecutivos. Apesar de não ser (infelizmente) muito assídua nos exercícios físicos, procuro não deixar de conhecer um local por este motivo. Prefiro não ir em grupo, sempre que possível, para poder fazer a caminhada no meu ritmo.

Andar devagar pelas tantas trilhas da Chapada dos Veadeiros tem muitas vantagens. Um olhar atento nas caminhadas em meio ao cerrado nos leva a encontrar com tantas plantas resilientes, tantas flores coloridas e únicas, que só faz o passeio ficar ainda mais encantador.

(foto das plantas e flores das trilhas)

Cachoeira do Segredo

Distâncias: 14km de São Jorge; 52km de Alto Paraíso de Goiás; 139km de Cavalcante

Não exige guia nem veículo 4×4

Uma cachoeira bem alta e volumosa que fica ao fim de uma trilha de 3,5km (7km ida e volta) geralmente considerada de nível fácil ou fácil a médio. É realmente linda e merece que você encare a água gelada para tomar um banho no seu poço de água verde escura!

Na volta da cachoeira, ainda dentro do vilarejo da cachoeira, tem um restaurante chamado Moringa Gatronomia. Não paramos, mas ouvimos falar bem dele.

Vale da Lua

Distâncias: 9km de São Jorge; 36km de Alto Paraíso; e 123km de Cavalcante

Não exige guia nem veículo 4×4.

É um dos cartões postais da Chapada. São formações geológicas exóticas, formadas a partir de erosão fluvial em terreno rico em carbonato. Dá a sensação de estarmos caminhando em crateras lunares.

Encontramos o local bem cheio, então não deu para aproveitar muito, mas é um local que precisa ser visto e que, no geral, não tomará muito do seu tempo, podendo ser conjugado com outros passeios no mesmo dia.

Jardim de Eritréia

Distâncias: 16km de São Jorge; 22km de Alto Paraíso; e 109km de Cavalcante

Não exige guia nem veículo 4×4.

É uma parada na própria rodovia GO-239 que liga São Jorge a Alto Paraíso de Goiás. Um mirante bem bonito e que é bem famoso no por do sol.

Complexo Macaquinhos

Distâncias: 45km de Alto Paraíso; 79km de São Jorge; e 132km de Cavalcante

Não exige guia nem veículo 4×4.

Ah, eu amei este lugar. Tem 10 paradas, uma mais linda que a outra. São 4km de trilha, ida e volta, até a última cachoeira e sim, vale demais a pena ir até o final. Ficamos o dia todo explorando e curtindo cada um dos trechos de rio, cachoeiras e poços. E ainda, não estava cheio.

A trilha é considerada fácil, mas alguns poucos acessos às paradas são mais desafiantes.

Santa Bárbara, Candaru e Capivara

Distâncias: 27km de Cavalcante; 116km de Alto Paraíso; e 152km de São Jorge

O guia é obrigatório (da comunidade kalunga); não é necessário veículo 4×4

A famosa cachoeira de água azul turquesa, Santa Barbara, fica no Complexo Turístico Kalunga, onde também é possível de conhecer outras 2 quedas, a Capivara e a Candaru. Na chegada ao complexo, você escolhe quais cachoeiras quer conhecer, fecha o guia (se não tiver feito isso com antecedência) e os transportes, que economizam muitos quilômetros de trilha. Em resumo, você pagará, separadamente: o passeio, o guia local e os transportes. Se tiver cédulas (dinheiro “vivo”, lembra?? rs) para os transportes, melhor.

Os guias são da própria comunidade kalunga, o maior território quilombola do país. Lá também tem um loja e um restaurante que nos convidam a saborear o que eles próprios produzem.

Incluímos os transportes disponíveis, porque somente assim é possível conhecer as 3 atrações em um dia. Mesmo com o transporte, a Cachoeira Santa Barbara tem uma trilha de aproximadamente 3,5km (ida e volta).

Sobre “Ela”, a Santa Barbara, realmente vale a fama. É de um azul inebriante. Antes de chegar, tem a Santa Barbarinha que já é muito linda. Chegando na cachoeira principal, é permitido permanecer por 1h. Quando fomos ela estava cheia, mas nada que ofuscasse a nossa alegria em estar ali.

Como não fomos muito cedo, não conseguimos fazer todo o complexo. Entre Capivara e Candaru, optamos pela última. A cachoeira já estava sem o sol batendo nela, mas é bem bonita e vale o banho, ainda que não tenham o azul da vizinha. Tem transporte para chegar e a trilha é bem curta e tranquila.

Ao final do passeio aproveitamos para prestigiar a lojinha e o restaurante. Depois dos banhos de cachoeira e antes de pegar a estrada de volta a Alto Paraíso, nada melhor do que uma comidinha caseira de forno á lenha do restaurante da comunidade kalunga.

Almécegas I e II e São Bento

Distâncias: 10km de Alto Paraíso; 28km de São Jorge; e 98km de Cavalcante

Não exige guia nem veículo 4×4.

As 3 cachoeiras ficam na Fazenda São Bento, pertinho de Alto Paraíso. O ponto mais famoso é o mirante da cachoeira Almécegas I, que é um dos principais cartão postais da Chapada dos Veadeiros. Além de fotografá-la, é possível mergulhar da parte de cima dela e em seu poço. Também é possível acessar e nadar nas outras duas quedas.

A trilha para a Almécegas I não é longa, mas inclui subidas e descidas que talvez exijam paradas aos menos atléticos. Devagar e sempre. A caminhada vale a pena!

A trilha para percorrer as outras duas quedas não são longas nem desafiantes.

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Trilha Amarela

Esta é uma trilha de 11km, mas pode ter a distância bem reduzida (caindo para 4,5Km) com a inclusão de transportes que o parque oferece e que devem ser pagos à parte.

A trilha é considerada moderada, mais porque há alguns trechos de subidas e descidas que são mais cansativos. No trajeto desta trilha passamos por cachoeiras, mirantes e piscinas naturais. São 4 pontos de parada, sendo que em 2 deles são pontos de banho.

Cachoeiras Loquinhas

Fomos em um dia que estava bem vazio e possivelmente isso fez toda a diferença. São 15 paradas para banho em uma caminhada tranquila de aproximadamente 2km de passarelas de madeira. A beleza de cada um dos pontos de banho impressiona. A cor da água varia entre diferentes tons de verde e azul e dá vontade de mergulhar em todas as paradas.

Cachoeira Cordovil

A cachoeira do Cordovil fica no Santuário Volta da Serra e fica ao final de uma trilha tranquila de aproximadamente 1,5km. Há outras paradas no caminho: Cachoeira do Encontro, Cachoeira do Rodeador e Poço das Esmeraldas.

É um local agradável, bonito, mas infelizmente fomos em um dia com muita gente. O parque nacional tinha lotado e, como o Cordovil é perto, muitos “barrados no parque”, como nós, decidiram ir para lá.

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Trilha Vermelha

Esta trilha, conhecida como Trilha dos Cânions e Cachoeira das Cariocas, tem 11km e, ao contrário da trilha amarela, não tem transportes que ajudem a diminuir a distância.

A trilha é considerada moderada. Não tem dificuldade técnica, não tem desníveis consideráveis, mas é cansativa. O sol também influencia nesta percepção. Não fomos ao Canion II porque não daria tempo (não estávamos passando bem desde a noite anterior).

Cachoeira do Dragão

O local foi aberto ao turismo em 2018 e ainda preserva a sensação de natureza bruta.

É necessário 4×4 para chegar ao local e o guia é obrigatório, assim como o uso dos equipamentos e vestimentas de segurança.

A Cachoeira do Dragão é conhecida como o atrativo mais desafiante da Chapada dos Veadeiros (é também o mais caro). Para chegar até ela, são aproximadamente 9km (ida e volta) de trilha, sendo 3km na água (ora andando pelo leito, ora nadando). a chegada na cachoeira gera um misto de sensações, dentre a alegria de ter vencido o caminho, o impacto de estar em um local em que a natureza se apresenta com toda a sua força e… o receio do retorno.

Na volta, um transporte ajuda a evitar uma subida bem íngreme que tornaria ainda maior o trajeto. Mesmo assim, esse passeio não é fácil. Exige muito do corpo. Na parte da natação, a sensação é de que todo o esforço não é suficiente para nos tirar do lugar.

Cachoeira do Caracol

A Cachoeira do Caracol também é um atrativo que está aberto ao turismo há pouco tempo. Oficialmente, desde 2022.

Aqui, o guia é obrigatório e, como algumas pessoas falaram de 4×4, optamos por escolher um guia com transporte.

São quase 4km de trilha (ida e volta). Há uma parada anterior para banho e, no final, para acessar o Caracol, o uso de equipamento de segurança é obrigatório. Há um pequeno “rapel” via degraus e cabos de ferro. Pessoas que não se dão bem com altura podem não se sentir bem neste desafio. A estrutura do passeio nos pareceu muito boa.

A Cachoeira do Caracol e seu entorno tem uma formação geológica muito interessante. A explicação dos guias sobre os eventos geológicos relacionados àquele beleza que estávamos vendo é capaz de nos remeter a outras eras do nosso planeta. Gostamos muito dali. Bem especial.

Tem um drone? Proteja-o da água e leve para este passeio. Há outros poços acima do Caracol e que não temos acesso no passeio.

Passeios em lista de espera

É fácil sair da Chapada com uma lista dos passeios que faremos da próxima vez. A nossa lista para a terceira viagem à Chapada inclui: Cachoeira dos Couros, Cachoeira dos Macacos, Complexo do Canjica e Complexo do Prata. Esperando não demorar muito para aumentar este relato!!