Roteiro de 2 semanas, durante o mês de setembro. Sério, a Namíbia é surreal. Para quem gosta de natureza e de paisagens únicas, este país precisa estar na lista de sonhos. Não tem como ficar de fora.
Tínhamos lido que na maior parte do país era tranquilo dirigir. Há turistas que atravessam os 3 países deste roteiro por conta própria. Mesmo assim, preferimos fechar com uma agência. Ficamos duas semanas rodando em uma van e dormindo em campings, acompanhada de um guia, que também era nosso motorista e cozinheiro. A opção de dormir em barraca foi financeira mesmo. O orçamento foi todo consumido no roteiro com guia privativo.
No começo foi complicado, especialmente porque pegamos tempestade de areia nas primeiras noites, mas depois foi ficando mais tranquilo. Minha irmã acordava algumas noites quando tinha barulho, por receio de um animal aparecer, afinal muitas vezes estávamos no meio da natureza, sem qualquer cerca, mas eu, pelo visto, tenho mais sono do que medo.
Da capital da Namíbia, onde o roteiro se iniciou, fomos para a região das dunas, o que já nos causou um impacto imenso e já nos fez entender o quão surreal era esse país. A estrada, muito boa por sinal, passava entre dunas imensas e intermináveis. Vez ou outra a cena eram complementada por animais, como os Oryx, antílopes muito comuns por lá.
Neste mesmo dia que saímos da capital, ainda deu tempo de conhecer Elim Dune, que era próxima ao camping. O guia preparou a comida, muito saborosa e similar à nossa, o que para mim é sempre um alívio. Carne, legumes, arroz. Nesta madrugada vivemos a nossa primeira tempestade de areia. Vento e barulho não faltaram, mas a canseira era grande e até que adormecemos rápido.





No dia seguinte, era dia de grandes emoções no deserto sul da Namíbia. Conhecemos Sossusvlei, que abriga os cartões postais da Namíbia, como a famosa Duna 45 e o Deadvlei. Trata-se de um imenso lago seco de sal e argila, rodeado por dunas vermelhas. So isso… rs… Depois, fomos conhecer o Sesriem Canyon.










Ao fim de todo este espetáculo, o guia dirigiu até o próximo camping, para o que seria a noite mais desafiante da viagem. Além da tempestade de areia, fazia muito frio.
Com a noite finalmente encerrada, era hora de nos dirigirmos até Swakopmund, na região da Skeleton Coast. Este era o único hotel do roteiro e ficaríamos por duas noites. Merecidíssimo, depois de noites iniciais tão desafiantes. No caminho, sempre havia uma infinidade de cenas belíssimas. A Namíbia dando seu show.

Chegamos à tarde no hotel e tivemos o restante do dia livre para conhecer a cidade, super bonitinha, que nos pareceu ser um destino de férias praianas dos namibianos mais afortunados. À noite fomos a um restaurante local curtir momento de princesa.
No dia seguinte pela manhã fizemos um passeio de barco (comemos ostras divinas- a Namíbia é famosa por isso) e, à tarde, fomos andar de 4×4 nas dunas (sim, mais dunas, essas de areia branca).



À noite, fomos a mais um restaurante legal, o que só ocorreria novamente após o fim do roteiro. Nos dias seguintes, partimos para um longo trecho de estrada, fazendo algumas paradas no caminho. Ainda na costa, paramos em algumas praias, uma delas dominada por leões marinhos.



Saindo da costa, o caminho se tornou mais árido. Ao longo da estrada, pequenos vilarejos. As casas tinham uma construção principal ao centro e as moradias ao redor, como nas tribos da região. No caminho, paramos para visitar um sítio com desenhos rupestres.


Paramos também para conhecer o povo Himba. Muitos já não moram mais na aldeia, mas se revezam para estar lá durante o dia, em função do turismo.





Chegar nos campings também não significava que a aventura tinha acabado. Em um dos campings tinha uma piscina no meio das pedras, em outros o banheiro era ao ar livre… Normalmente os terrenos eram grandes, então dava para passear, encontrar animais (nenhum perigoso, amém!) e admirar o incrível por do sol africano.
E então, finalmente chegamos ao Etosha National Park, para o tão esperado encontro com os animais africanos. A África mais próxima do nosso imaginário. Apaixonada que sou pelos animais, com uma queda substancial pelos elefantes, não poderia deixar de estar muito ansiosa.
O Etosha é bastante árido e há algumas lagoas/ bolsões de água, alguns naturais e outros artificiais, para que os animais possam se hidratar. Como, é claro, há uma concentração grande de animais nestes locais, há muitos turistas que tem ressalvas à experiência do safari neste parque. Só que o Etosha tem uma área de 22000m² (23% da área é salar!) e, sinceramente, eu não tive essa sensação. Há animais nos lagos mas também ao longo de todo o parque.
Assim que chegamos, já fomos aproveitar o fim de tarde no Etosha. Meu primeiro encontro com os elefantes já se deu aí. Sim, eu chorei… rs…



O dia seguinte foi dia de explorar o parque o dia todo. Obviamente, mais um dia incrível.











No dia seguinte, o último dia de Etosha, nos movimentamos para outra área do parque. Belíssima. O encontro do salar com os animais formando paisagens que nem pareciam reais.







Só posso dizer que foi muito emocionante estar ali. A aridez, o salar, os animais e o verde que teima em brotar fazem este lugar ser um deleite aos olhos e à alma. Ah, a Namíbia…
E então, felicíssimas, nos despedimos a caminho de mais um ponto de safari, no Chobe National Park, em Botswana. Este camping era ao lado de um rio e andamos de barco ao longo dele. Nas suas margens, também era possível observar a vida local. As vestes, os banhos no rio, os baldes de água na cabeça. A vida em outro ritmo. E, sim, mais um por do sol incrível. Por lá o sol se pintava de vermelho sangue. Ficou na memória pra sempre, porque as fotos não conseguiram capturar.
Escolhemos o Chobe porque além de safari por terra, há safari pelo rio. Não há como explicar a emoção de estar em um rio, em um pequeno barco, ao lado de hipopótamos, crocodilos, elefantes (na água!) e tantos outros animais que vem se refrescar no fim da tarde. E, claro, tudo coroado com o espetacular por do sol africano! Diz aí se não tá justificado eu ter chorado (de novo) de emoção?








À esta altura já estávamos totalmente realizadas com a viagem. Vimos muitos animais. Apenas o leopardo não conseguimos avistar. Não por falta de esforço do guia, que ficou muito tempo esperando, sem sucesso, um deles descer de uma árvore (devido a copa bem fechada, não deu pra ver nada).
Ainda tinha viagem! Seguimos para o Zimbawe, onde visitamos as cataratas Victoria, além de fazer um safari por terra e outro no rio.





E então, fim da aventura inesquecível. Tantas imagens que nunca sairão das nossas mentes. O contato com os animais e com esse continente que, desde infância, habita nosso imaginário, tem algo de muito mágico. Já saímos de lá com a certeza que voltaremos outras vezes. Quênia e Tanzânia que nos aguarde, mas por enquanto eu fico com o “impacto Namíbia”. Este país precisa estar na lista de qualquer apaixonado por viagem de natureza. Falo muito sério.