Fui no mês de fevereiro. Foram 3 semanas entre estes 4 países incríveis, com muita novidade para absorver. Para os olhos, para o paladar e para a alma. Como nesta viagem eu estava só, decidi viajar com uma empresa especializada na região.
LAOS
Foi uma passagem rápida por este país, infelizmente. Só 2 dias em Luang Prabang. A cidade ainda está preservada do turismo de massa e o ar de simplicidade e amabilidade prevalece.
Aproveitei ao máximo meus 2 dias no país. Templos, rituais budistas, feiras locais, natureza, por do sol… mas foram as pessoas, tão receptivas e prestativas, que mais me marcaram.
O primeiro dia foi dedicado a conhecer a cidade de Luang Prabang. E se apaixonar.
No primeiro dia, depois de me acomodar no hotel e almoçar, partimos para conhecer alguns templos budistas importantes para a cidade.
Os monges, muitos, estão em toda parte, seja nos templos, onde se pode ver de perto seus rituais, ou no cotidiano na cidade. A relevância deles na cultura local é facilmente notada.
Depois de conhecer um pouco mais sobre o budismo e observar os costumes locais, fomos admirar o por do sol do alto de uma montanha e, por fim, conhecer uma feira noturna.







No segundo dia, bem cedo, fui conhecer um ritual que acontece diariamente entre os monges e a comunidade. A partir das 4 da manhã, os moradores (e turistas) se acomodam ao longo das calçadas, trazendo comida para oferecer aos monges (eles não compram comida, só comem o que recebem). Aos poucos, eles vão chegando e, em fila, vão passando pelos moradores e recebendo um punhado da comida ofertada. Tudo acontece em silêncio. Quando um morador está em necessidade, além da comida para ofertar, ele também leva um pote vazio. Ao passar por essas pessoas, os monges, além de receber um punhado de comida, também ofertam parte do que já coletaram, em uma troca muito bonita.



Depois desta experiência, fomos passear na feira matinal, tão cheia de cores, cheiros e sabores. Uma experiência sensacional.







Este dia foi bem movimentado. Depois do passeio na feira, pegamos um barco até Pak Ou Caves, que se localiza na junção entre os rios Ou e Mekong. Pak Ou é a caverna dos mil budas, que foram lá deixados pelos fiéis em peregrinação. O passeio pelo rio, até chegar na caverna, é bem interessante pra conhecer mais da região.




Na volta deste passeio, almoçamos e, depois, fomos até as cachoeiras de Kuang Si. Já tinha visto as fotos, sabia que eram bonitas, mas estar lá me surpreendeu muito. Água limpa, uma cor fascinante e você pode nadar tranquilamente.



No próximo dia deixei o país pela manhã, com gostinho que quero mais e certeza que não me esqueceria daqueles momentos e daquelas pessoas.
VIETNAM
Aqui foram 3 paradas em 6 dias: Hanoi, Halong Bay e Hoi An.
Para começar com impacto, Hanoi. As cores, sabores e trânsito caótico fazem este local ser único.
Amei a culinária local. Comida leve, não achei apimentada e me surpreendi com o sabor. Minha cara. Depois disso, sempre que encontro restaurantes vietnamitas já quero provar!
Já o trânsito, bom, é uma atração à parte. Atravessar a rua exige orientação e coragem: “não pare, siga”, diz o guia, enquanto você observa um mar de motos e carros vindo de todas as direções, todos buzinando ao mesmo tempo. Não te resta alternativa a não ser acatar a orientação. Ousadia pura… rs… Vai dar certo, muito provavelmente, mas você não entenderá bem como isso foi possível.
Neste único dia em Hanói, visitei o Templo da Literatura, o Museu de Etnologia, a Praça Ba Dinh, o mausoléu de Ho Chi Minh, o One Pillar Pagoda, o lago Hoan Kiem e o templo Ngoc Son. Além disso, fomos a uma floricultura artesanal, onde aprendemos a fazer uma oferenda a partir de arranjos florais. Por fim, fizemos um tradicional passeio de tuk tuk pelas ruas do bairro antigo de Hanói. Um dia bem produtivo.







No dia seguinte saímos de ônibus rumo a Halong Bay. Grande expectativa. O passeio de barco pela baía saiu no começo da tarde e retornou na manhã seguinte. Foi mágico andar de caiaque, curtir uma praia, navegar e pernoitar em um lugar tão lindo.





Desembarcando, voltamos para Hanoi, de onde eu pegaria um vôo para Hoi An, o último destino no Vietnam.
Ao contrário de Hanoi, Hoi An é uma cidade pequena, muito famosa por seu charme, especialmente à noite, quando seu centro fervilha de turistas e lanternas coloridas. Até o rio que corta a cidade se ilumina com os barquinhos com velas que os turistas depositam. Bem típico e bonito de se ver.





Saí do Vietnam certa que ele tem muito mais a oferecer. Vale voltar e conhecer outros locais deste país culturalmente tão rico.
CAMBOJA
O meu roteiro tinha apenas 2 dias de passeio neste país e, ainda assim, mais dias do que a maioria fica. Normalmente, em uma viagem pelos países indochinos, as pessoas reservam apenas um dia para conhecer Angkor Wat.
A cidade base é Siem Reap. No primeiro dia, o roteiro incluiu os passeios principais, para conhecer Angkor Thom e Angkor Wat e, no segundo dia, os sítios menos conhecidos de Bantheay Srey e Bantheay Samre.







O terceiro dia foi dedicado apenas ao deslocamento entre o Camboja e Myanmar.
MYANMAR
Conhecer Myanmar era um desejo antigo e eu sabia que este roteiro só sairia do papel se eu pudesse incluir este país. Só que, além dele ter sido aberto para turistas após a pandemia há muito pouco tempo, ele estava em guerra. A agência não indicava a inclusão deste país, mas devido a minha insistência, eles concordaram em me apoiar.
Já no aeroporto do Camboja eu notei que as coisas em Myanmar seriam diferentes. Além da infinita burocracia para entrar no país, eu percebi que era a única turista do vôo. Chegando em Yangon, a guia estava me esperando na porta do avião, o que também já achei beeeem estranho. Na sequência, quando eu solicitei que ela me levasse a um banco para sacar dinheiro (meus dolares estava acabando), ela riu e me informou que os Bancos tinham fechado recentemente no país, em função da guerra. Disse também que dificilmente haveria chance de eu usar o cartão de crédito. Sensacional. Então, eu tinha 105 dólares para passar 7 dias. Sorte que o pacote de viagem, além de hotel, transporte e passeios, também incluída algumas refeições.
Bom, houve mil recomendações para que eu evitasse sair à rua sozinha e que, se fizesse, carregasse toda documentação de entrada no país. Apesar de o proximo dia ser livre, saí só pra jantar e voltei para a segurança do hotel. Achei por bem eleger esse dia como um pausa para descanso… rs…
No próximo dia, um motorista iria me levar de carro até Bagan, trajeto que durou o dia todo. Fui orientada que pararíamos pra comer “onde fosse possível encontrar um restaurante”. Assim foi. De tempos em tempos havia uma barreira policial e o motorista precisava apresentar documentação e dar explicações sobre mim. Em nenhum momento fui questionada ou fui tratada com estranhamento ou rispidez. Eles nem olhavam pra mim.
Nessa altura, confesso que já estava combinando comigo mesma que, ao primeiro sinal de que as coisas poderiam sair do controle, eu iria desistir e pedir pata anteciparem a minha saída do país.
Era notável que as pessoas deste país, tão simples e amáveis, estavam atravessando tempos ainda mais difíceis que o usual. Além dos anos de pandemia, a guerra que se seguiu estava dificultando muito mais as coisas.
Os poucos turistas que eu encontrei estavam morando no país a trabalho ou eram de outras regiões de Myanmar. Uma pena.
Enfim, no fim do dia cheguei no hotel e consegui usar o cartão de crédito para jantar. Ufa!
No próximo dia, fomos conhecer a feira local. Lá se vendia tudo o que era consumido na região, o que incluía alguns poucos produtos industrializados. O tempo parece não ter passado por ali. Percebe-se traços culturais bem típicos e muito antigos. As mulheres, por exemplo, tem a face maquiada com uma pasta de argila, enquanto os homens possuem dentes de uma cor rosa muito forte, em função do fumo que mascam.




Foram 2 dias de passeios na famosa Bagan, a cidade das milhares de pagodas. No primeiro dia exploramos as antigas pagodas e também os templos modernos.











O segundo dia se iniciou com o famoso sobrevôo de balão, ao amanhecer, sobre as antigas pagodas. Mágico. Depois, além de conhecer mais templos e saber mais sobre a rica história religiosa do local, visitamos vilarejos para conhecer a vida local. Terminamos o dia fazendo um passeio pelo rio que margeia a cidade, com direito a um por do sol incrível.






No dia seguinte, novamente era dia de pegar estrada para a última parada da viagem: Inle Lake. Longo trajeto, com mais checagem policiais. Quando estávamos quase chegando em Inle Lake, o motorista falou: você ouviu as bombas ontem à noite, do outro lado do rio? Não, eu não tinha ouvido. “Do outro lado do rio” era território proibido para locais e sob domínio dos militares.
Bom, cheguei à tarde em Inle, em segurança. O passeio no lago e comunidades de casas palafitas seria no dia seguinte.
No outro dia, bem de manhãzinha já estávamos no lago. Novamente minha expectativa foi muito superada. Lago enorme, um silêncio absoluto. Sem turistas, só a vida local acontecendo. Alguns pescadores com sua técnica típica, as comunidades palafitas, os moradores indo e vindo de barco, a feira local. Uma sensação de que ali o tempo passava mais devagar. No lago, o estresse do país em guerra foi se esvaindo e eu só senti paz. Por fim, em 3 semanas viajando por 4 países, foi neste local, localizado em um país em guerra, que eu mais me senti em paz.








E foi assim, neste lugar tão mágico, que a viagem se encerrou. Eu voltei, mas parte do meu coração ficou neste local. Não posso de deixar de confessar que Myanmar, pelo conjunto de experiências que eu vivi, deixou marcas profundas em mim. Uma experiência avassaladora e inesquecível.
Fazendo um balanço final, apesar de similares em suas crenças, cada país que visitei proporcionou experiências diferentes e complementares. Repetiria o roteiro inteiro, talvez com um dia a menos no Camboja e inserindo outras paradas no Vietnam, se houvesse tempo. Foi minha primeira experiência na cultura asiática e já me sinto pronta para a próxima. Que venha.