Essa viagem era um sonho antigo. Um lugar distante que sempre me fez suspirar. Pensei em 1 mês porque queria fazer com calma, degustando cada minuto. Ledo engano. Calma nenhuma. Foram 28 dias, 20 hotéis e mais de 5500km rodados em mão inglesa. Dias agitados, mas não houve canseira que superasse a beleza que vinha de todos os lados e sob todas as formas. O bom é que os neozelandeses sabem disso. Um povo que celebra a natureza.
Fomos em fevereiro de 2024. Em teoria, ainda no verão, mas longe de ser o verão brasileiro. O casaco foi o uniforme da viagem.
Dividida em duas ilhas, sabíamos que a regra era usar o dobro de dias para a ilha sul, em relação aos dias na ilha norte. Fizemos mais ou menos isso.
Ficamos com carro o tempo todo. Do aeroporto ao aeroporto, nas duas ilhas. Rodamos boa parte do país, mas com certeza ficou muita coisa de fora. Apesar do ritmo intenso, não nos arrependemos de ter optado for ficar 1 mês no país. Na verdade, a maior canseira desta viagem foi a preparação, porque as possibilidades eram muitas. Coisas de país que tem o hábito de ser interessante demais. As próprias estradas são cênicas e, em alguns dias, o passeio foi o próprio caminho. O que foi ótimo, porque tornou menos entediantes os mais de 5500Km de estrada.
A comida foi um pouco desafiante para nós. Alguns trechos da ilha sul não eram bem servidos de possibilidades e, quando encontrávamos algo, era no esquema norte-americano: muito creme, muito bacon e uma pitada relevante de pimenta. Em poucos dias entendemos que precisaríamos cuidar da alimentação. Por sorte, tínhamos cozinha em algumas hospedagens e optamos por fazer nossas refeições e congelar marmitas para os dias seguintes. Se você tem restrições alimentares, pense nisso ao fechar as hospedagens.
Quanto a dirigir no país, vale o reforço de que eles usam a mão inglesa. Neste sentido foi acertada a escolha de começar pela ilha sul, porque quase não há transito, o que torna tudo mais tranquilo para quem está tendo esta vivência pela primeira vez. Depois de pouco tempo vai ficando menos estranho. As estradas são muito boas, apesar de muitos trechos sinuosos. Passamos por muitas serras, com caminhos estreitos, mas com o asfalto sempre impecável. Já no Brasil, descobrimos que levamos 2 multas: uma por ter passado a 69Km em um trecho em que a velocidade era 50km e outra porque estacionamos sobre a faixa. Bom avisar, né?
Um outro ponto importante é pesquisar se as trilhas que se pretende fazer estão abertas, no site do Departamento de Conservação. Muitas permanecem longos períodos fechadas para manutenção. Do mais, só aproveitar. Os kiwis, como os neozelandeses são conhecidos, são muito educados e foram muito receptivos conosco.
ILHA SUL
Nosso roteiro de 17 dias na ilha sul começou e terminou em Queenstown. O roteiro em detalhes está no post Nova Zelândia – Ilha Sul.
Sem dúvida correndo o risco de ser injusta, mas na tentativa de resumir os mais conhecidos destinos da ilha sul, podemos dizer o seguinte. Ao sul, a principal atração é a região dos fiordes. Ao centro, Mount Cook. Ao norte fica o Abel Tasman National Park e a oeste, Franz Josef e Fox glaciares. Por aí já dá pra perceber que, para ter uma visão geral, é necessário rodar a ilha toda. Acrescenta-se a isso o fato de que, no caminho entre estas atrações, há tantos outros locais belíssimos. Ou seja, quanto mais tempo tiver, melhor. Mesmo assim, você sempre vai achar que faltaram dias… rs…
Fiordland é a região de fiordes mais conhecida da Nova Zelândia. Suas águas escuras, a neblina e a imponente cadeia de montanhas dão ao local uma impressão de se estar dentro de um filme. De fato, foi cenário do Senhor dos Anéis.
Os fiordes desta região não podem ser explorados de carro. O mais comum para conhecê-los são os passeios de barco, mas podem ser explorados por trilhas ou helicóptero. O mais famoso dos fiordes é o Milford Sound, mas o Doutful Sound também é um passeio incrível, caso fique dois dias na região. É possível fazer estes passeios em excursões que partem de Queenstown ou Te Anau.



A região de Mount Cook é um dos principais cartões postais do país. Nao à toa. O azul indescritível do Lake Pukaki, emoldurado pelo Mount Cook ao fundo, é realmente de tirar o fôlego. Nessa região, fizemos também a Hooker Valley Track, de 10Km, que valeu muito a pena. Rios, vales e montanhas nevadas, incluindo o Mount Cook, são o cenário desta trilha, que não tem grandes ganhos de altitude ao longo do percurso. O desafio maior, quando fomos, foi o vento. Se possível, acrescente um passeio de helicóptero com caminhada no Tasman Glacier, com direito a se aventurar nas ice caves do caminho. Um dos passeios mais incríveis da viagem e da vida.





Ao norte da ilha, o Abel Tasman National Park faz juz a sua fama. Há diversos tours de barcos na região (em alguns você escolhe se quer ficar curtindo as praias ou se quer caminhar para explorar mais a região). Há também a opção de water taxi, que pode te deixar e te pegar em praias nas quais não se chega de carro.
O parque é belíssimo e certamente mereceria mais tempo. Conhecemos apenas a Apple Split Rock e o trecho entre Bark Bay e Anchorage.






Sobre a última dentre as principais regiões da ilha sul, as cidades do Franz Glacier e do Fox Glacier, infelizmente não podemos dizer muito. Só passamos por lá no retorno para Queenstown. Nos pareceu uma região bem estruturada para o turismo, também com muitas trilhas e passeios de helicóptero. Acabamos optando por não passar mais tempo aqui por dois motivos: o relato de que a trilha para o Franz Josef já não permitia chegar próximo ao glaciar, devido ao degelo, e à alta chance de cancelamento de vôos de helicóptero aos glaciares, devido a grande instabilidade do clima da região. Lemos que a chance de cancelamento de vôo na região era de 50%. Como o roteiro estava apertado, resolvemos apostar em um glaciar na região de Mount Cook que, apesar de também ter altos níveis de cancelamento, era um pouco menor, ao redor de 30%.
ILHA NORTE
Na saída do aeroporto de Auckland estranhamos o trânsito, de tanto que estávamos acostumadas com a calmaria gostosa das estradas da ilha sul. Ainda bem que, conforme nos afastamos de Auckland, as estradas foram ficando mais vazias.
Foram 11 dias explorando a ilha norte. O roteiro completo está no post Nova Zelândia – Ilha Norte. Aqui, em bate-voltas de Auckland, as pessoas costumam incluir no roteiro o movie set do Senhor dos Anéis e a caverna dos vermes brilhantes, que tem em vários locais, mas o mais conhecido é o Waitomo Glowworm Caves.
Outra atração bem conhecida da Ilha Norte, que se pode fazer em passeios saindo de Auckland, são os campos geotermais da cidade de Rotorua.
Sobre a ilha norte e seus principais destaques, não podemos deixar de citar a trilha Tongariro Alpine Crossing e também uma praia muito fotografada, a Catedral Cove, que fica em Hahei.
Bom, no nosso caso, rodamos a Ilha Norte com um carro alugado.
Primeiro estivemos na região litorânea de Hahei e, claro, confirmamos que a região tem motivo para ser uma das mais visitadas da ilha norte. Além da Catedral Cove, vale muito a penas fazer um passeio de barco para as praias e a reserva marinha da região. Também não deixe de visitar a Hot Water Beach na maré baixa, para ver o fenômeno das piscinas de água quente.



Em seguida partimos para Rotorua, uma cidade em que se pode conhecer mais da cultura maori e se encantar com os sítios geotermais. Para os fãs da natureza em suas formas mais raras e belas, este local é um deleite. Aqui, não deixe de conhecer uma vila maori, assim como os campos geotermais Wai-o-Tapu e Waimangu.






Saindo de Rotorua, o próximo dia foi hora de conhecer o impressionante Hobbiton Movie Set, do Senhor dos Anéis. É necessário reservar com antecedência, porque está sempre lotado. À tarde, fomos ao Waitomo Glowworm Caves e seu teto de vermes brilhantes. Um encanto. Lá, não se pode fotografar.



E para finalizar em grande estilo, nosso último desafio foi dedicado a uma das mais conhecida trilha do país, a Tongariro Alpine Crossing. A paisagem de vulcões, lagos e picos nevados (no verão) é, ao mesmo tempo, desafiante e extasiante.





Daqui, voltamos para Auckland, para um último dia dedicado a conhecer a cidade e, sobretudo, a completar a lista de presentes.
Hora de voltar para casa, com a sensação de que ainda precisaremos de bastante tempo para digerir tudo o que vivemos. Este país precisa de mais que 1 mês para desvendá-lo, mas somos muito gratas pela oportunidade que tivemos. O país faz jus ao título de “resumo do mundo”.
Os kiwis foram abençoados pela natureza e eles honram a oportunidade. Trilhas e outros esportes na natureza estão no DNA deles. Bebês, crianças pequenas, jovens, adultos e idosos, todos são vistos juntos pelas incalculáveis caminhadas que existem no país. Lindo de se ver.